domingo, 10 de agosto de 2008

Pai e Filhinha no teatro.



Dramaturgia em Drama

Cena 1

O Pai e a Filha... de 1 ano.

Linda e saudável família normal vai ao teatro. Em cartaz: O Palhaço

PAI – vou levar ela mais para frente.
MÃE – Isso, pode levar... eu fico aqui.



*** Pai corre através do corredor entre as poltronas do teatro, levando bem apertada ao peito sua filha de um ano, que sacode, sacode. Pai corre, porque atrás dele vem um dos atores da peça, também correndo, e gritando. A criança, apesar de sacudida, não grita.



PAI – Aqui está bom. (senta) Olha filinha, o palhaço.

*** A filhinha não fala, é uma criança, mas pensa. ***

FILHINHAHum, isso é um palhaço. Mas tá sem nariz.
PAI – Olha filhinha, o palhaço ta amarrando o sapato.
FILHINHAHum... haha... legal
PAI – Olha filhinha, o palhaço não sabe amarrar o sapato.
FILHINHA - ... aham eu vi pai...
PAI – Olha filhinha, o palhaço caiu.
FILHINHA Sim pai, eu vi que o palhaço caiu...
PAI – Olha filhinha, o palhaço caiu de novo quando foi levantar...
FILHINHAPai!!! Para de explicar o que está acontecendo lá...
PAI – Olha Filhinha, olha olha...
FILHINHATô olhando... eu já estou olhando...
PAI – ... ele conseguiu levantar...
FILHINHAPai, você esta atrapalhando o cara que está aí na poltrona da frente, pára de falar...
PAI – Filhinha filhinha, olha, o palhaço ta triste...
FILHINHA cadê a mãe... eu vou chorar... eu não quero mais ter esse pai...
PAI – Olha filhinha, o palhacinho conseguiu ficar alegre...
FILHINHAPrimeiro: não é palhacinho, é palhaço, clown, um branco e outro augusto. Segundo: ele não voltou a ficar alegrinho. Ele está ingênuo, aliás mostrando toda a simplicidade da ingenuidade e idiotia do ser humano, e assim torna-se o ser mais político que há, porque justamente “não há”. Então pai, se você não tem nada pra acrescentar, não comenta e me deixa aproveitar...
PAI – hahahaha
FILHINHAPelo menos você está conseguindo rir...
PAI – Olha filhinha, o palhacinho... Filhinha? Que cheiro é esse?

A FILHINHA fez cocô!

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Ficha Técnica Elenco: Lúcio Tranchesi (o Tio) e Alexandre Luís Casali (o Sobrinho) Direção: João Lima Roteiro: Alexandre Luis Casali e Lúcio.

...Hasta...

Ventana







Cópula



A poética cópula das máquinas!

... hasta...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Normose e Línguas

Aqui vai um texto que encontrei perdido no computador. Não sei quem é o autor e só encontrei um página apenas...


gostei


postei


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... Falar de normalidade é como andar sobre um deserto de ovos, é como atirar em um alvo em constante movimento. Tal qual “tempo e espaço”, a normalidade é, inexoravelmente, um conceito relativo. Se formos analisar a revolução ocasionada pela teoria da relatividade de Einstein, temos que convir que os resultados obtidos pela mesma não satisfazem apenas o campo cientifico da física e afins, mas pelo contrario, foi o vento que levou ao ar os chapeis do conformismo e da exatidão em todo o mundo intelectual, capacitando um outro jeito de pensar a ciência e os fenômenos humanos e tudo que a estes corresponda, assim como um novo modo de lidar com estes fenômenos. Caindo por terra o conceito da linearidade do tempo de Newton, como, também, o conceito positivista e liberal de homem individual, “normal” ou “anormal”. Embora, tanto a idéia de Newton, como a do “Patológicomen”[1] são exaustivamente trabalhadas na formação intelectual de uma pessoa.
Ser normal é estar dentro das normas, da maioria, da moda. Mas estar dentro de uma norma é contradizer uma das grandes virtudes do ser humano, o de ser político (e não monolítico). Assim, uma sociedade de consumo como a nossa tende a normatizar “hábitos” patogênicos que, apesar de serem “normais”, levam a infelicidade e a doença. Dessa forma Pierre Weil apresenta o conceito de Normose, que seria a patologia da própria normalidade. A dita normalidade que introjeta na pessoa uma pulsão de ter, só de “ter” e não de “ser”, por exemplo. Assim, segue-se a crise da contemporaneidade, alienação causada pela submissão inconsciente à um regime totalitário de dominação (moda, seguir a maioria). Tomar consciência disso é o inicio terapêutico para a mesma.
Einstein e Weil, como foi supracitado, nos mostram rupturas em paradigmas histórico-culturais, tanto focado no homem em si como em todo o universo físico que o rodeia. Lembremo-nos de que Einstein era tido como louco, e Weil, aos trinta e três anos de idade entrou em uma crise existencial profunda que mudou toda sua vida. Analisemos, que Einstein era fruto de uma rígida educação judaica e tinha sérias dificuldades de relacionamento por causa de sua timidez assim como ações errantes nas práticas mais cotidianas. Logo, Einstein era produto de relações, e destas relações sofria ou...


[1] Palavra criada pelo autor, originária da junção de Patológico com Men (homem em inglês). Faz referência a patoligização da vida assim como à perda da identidade lingüística de uma certa população, que por alienação normatiza-se de acordo com falsos modelos apresentados na anti-cultura de consumo.
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Homi Bhabha



Noção de Cultura em BHABHA

Todas as formas de cultura estão de algum modo relacionadas umas com as outras, porque cultura é uma atividade significante ou simbólica. A articulação de culturas é possível não por causa da familiaridade ou similaridade de conteúdos, mas porque todas as culturas são formadoras de símbolos e constituidoras de temas. Portanto, são práticas interpelantes.
Resistimos muito a pensar de que forma o ato de significação, o ato de produção dos ícones e símbolos, dos mitos e metáforas por meio dos quais vivenciamos cultura, devem sempre – em virtude do faoto de serem formas de representação – ter em seu interior uma espécie de limite auto-alienante. O sentido é construído de um lado a outro da linha divisória que separa e diferencia significante e significado. Decorre disso que nenhuma cultura é completa em si mesma, nenhuma cultura se encontra a rigor em plenitude, não só porque há outras que contradizem sua autoridade, mas também porque sua própria atividade formadora de símbolos, sua própria interpelação no processo de representação, linguagem, significação e constituição de sentido, sempre sublinha a pretensão a uma identidade originária, holística e orgânica.

Noção de tradução em BHABHA

Tradução é um processo pelo qual, a fim de objetivar o sentido cultural, é forçoso haver sempre um processo de alienação e de secundariedade em relação a si próprio. Sob esse aspecto, não há “em si mesmo” nem “por si mesmo” no interior das culturas, porque elas sempre estão sujeitas a formas intrínsecas de tradução. Tal teoria da cultura se aproxima de uma teoria da linguagem, como parte de um processo de traduções – usando essa palavra não no sentido estritamente lingüístico de tradução, como em “um livro traduzido do francês para o português”, mas enquanto um motivo ou tropo, como sugere Walter Benjamin para a atividade de deslocamento dentro do signo lingüístico.
Tradução é também uma maneira de imitar, mas num sentido traiçoeiro e deslocante – o de imitar um original de tal modo que a sua prioridade não é reforçada e sim, pelo próprio fato de ele poder ser simulado, reproduzido, transferido, transformado, tornado um simulacro e assim por diante: nunca o original se conclui ou se completa em si mesmo. O “originário” será sempre aberto à tradução, portanto nunca pode ser dito que tenha um momento antecedente, totalizado de sentido ou de ser – uma essência. Isso quer dizer, que as culturas só são constituídas em relação a essa alteridade interna á sua própria atividade formadora de símbolos que as faz estruturas descentradas – e que por intermédio desse deslocamento ou liminaridade abre-se a possibilidade de se articularem práticas e prioridades culturais diferentes e mesmo incomensuráveis.

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Texto do Grande Mestre e Amigo Mauro Gaglietti

oS rATOS


Eis que devem retornar ao ninho os camundongos

Arte de amar - de Tiago de Mello

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Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder. A
palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.

TIAGO DE MELLO

líriosorriosos

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Se eu conseguisse todos os Lírios
Todos os brancos e os amarelos.
Se assaltasse os jardins mais apaixonados
E assim tocasse o seio esquerdo de Julieta.

Se eu te deitasse agora em meu olhar
Te cobrisse com meus sonhos e minha paixão
Um beijo para lhe contar
Que sou seu Lírio Rubro.

Você, minha paz e meu tormento
Que me abala os olhos e os sentimentos
Você, em jardim floresce

Cada dia uma,
Teus olhos:
Cada dia únicos.

a-romA

Meu amor é mais que eu mesmo em inicio de vida...
Meu amor é uma rotina sem horário...
É assim uma saudade sem tempo, sem pausa...
Meu amor é uma flor sem cor, mas viva verde e vermelha, amarela...
Meu amor é cinco Marias em um céu de jasmim...
É assim, assim florido, assim... assim.
Meu amor tem compasso forte, tem tom pesado...
Meu amor tem pele suave, meu amor é pluma e simplicidade...
É assim o meu amor, puro... puro assim como esse verde.
Meu amor é meu coração na madrugada...
Meu amor é minha mão, por favor, na sua mão.
É assim o meu amor, bate sincopado um réquiem surreal
Uma tradução de um abismo silábico
Porque não há palavras, soltas, silenciadas, escritas ou copiadas...
Não há maneira de lhe dizer, Meu Amor, como é real meu amor, e
A mais rigorosa dor é essa casta falta de você. Falta você sempre do meu lado!

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Sentelhas dos mundos que passaram
Mundos e palavras que cabem nos momentos
Em palmas e mãos.